sábado, 20 junho, 2026

Toda a Vida do seu Corpo

É unânime a sensação de uma mulher que se tornou mãe em relação as mudanças do seu corpo. Mas, quantas vidas caberão em um único corpo? Este é um relato para toda mãe.

Mãe com barriga aparente com seus dois filhos - Just Real Moms

Esse poderia facilmente ser um anúncio de gravidez. Eu sei que é isso que a foto convida a pensar. Mas não é.

Essa é uma reflexão sobre o seu templo: o seu corpo.

Quantas vidas cabem em um só corpo?

Quanto você carrega, dentro e fora de você?

Esse corpo que tem marcas, quilos a mais, novas rugas. Esse que traz ritmo, textura, balanço próprio, equilíbrio e tanta, tanta história.

Esse corpo que movimenta espaços, que transpõe barreiras e que é o único a chegar mais perto da mãe natureza, se fazendo morada para quem tem a oportunidade única de chegar ao mundo vindo de você.

E ainda, esse corpo por vezes cansado, por vezes um estranho no espelho, quase irreconhecível, mas ainda assim ali – em pé – todos os dias. Em um revezamento de respiros, recomeços, resgates e rituais.

Esse corpo que todos os dias torna quase fácil a dança do impossível e, depois de um banho quente e um pequeno repouso, se prepara para recomeçar sem cessar.

Pode até ser um corpo meio escondido, meio envergonhado, com impurezas, vícios, arrependimentos, ressignificados e curas, não importa. É ele que resolve mistérios, que oferece aconchego, que serve de abraço, equilíbrio, satisfação e porto seguro.

Esse corpo que vibra e que ainda se reconhece.

Esse que, timidamente, ainda sabe se valorizar. Esse corpo que transborda orgulho, admiração e inspiração.

Esse corpo cheio de detalhes para serem honrados. Com cada dobra, cada noite mal dormida emendada em dias intermináveis e cada fase que lhe cabe hoje: seu corpo é parte da transformação linda que lhe ocorreu, já pensou nisso?

Quanto respeito cabe nas marcas dessa história que é só sua? Quanto de você ficou para trás só para que hoje você fosse uma versão nem melhor e nem pior, apenas diferente – e que nunca antes fez tanto sentido.

Quantas lágrimas secaram sozinhas enquanto suas mãos se ocupavam embalando outro ser? Quantos sorrisos nasceram junto com cada esperança renovada que vem com o amanhecer?

Quanto de si ainda existe em um reflexo de amor-próprio que só você detém e pode reencontrar

Com qual dose de gentileza você é capaz de se olhar?

A gente pode nunca saber quantas vidas caberão em um único corpo. Mas a vida que a gente carrega – seja dentro ou fora da barriga – só nós somos capazes de, verdadeiramente, enxergar.

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